O Lento Foguete Foo (leia-se qualquer tecnologia, ou você)
Do dia pra noite a discussão volta à tona. São muitos os fãs entusiastas desse tipo de duelo. Egos a flor de uma pele enrustida por falsos ideais. Ideais? Que nada. Contradições tão contraditórias quanto a citada na frase anterior. Admita que você pobre mortal já se deparasses com no mínimo infinitas dessas malditas discussões. Ou quem sabe, infelizmente, acometido por um momento de emoção contribui para o circo pegar fogo? Ah sim! É verdade! Ainda não mencionei o duelo ainda. Então preparem as pipocas, tirem as crianças da sala, pois no duelo de hoje teremos o Lento Foo – o desprezível da última semana, de um lado do ringue contra o Foguete Foo – o temível da nova era, do outro! Só não contem comigo para assistir o massacre.
Seja no seu fórum preferido ou no seu ambiente de trabalho. Quantas vezes ao mês, desenvolvedores de sistemas e afins duelam por amor a suas causas perdidas? Pode ser o lento Java contra o veloz .Net. Ou quem sabe o “gambiarrento” .Net contra o meticuloso Java. Ou que tal a batalha sangrenta pelo fim do Java e do .Net com a chegada do não tão novato Ruby na área. Não importa os personagens. Elas existem e estão por todas as partes. O motivo é quase sempre o mesmo (ou pelo menos corre em suas fronteiras): velocidade, nada mais abstrato para uma discussão tão vazia. Há também aqueles que abandonam tudo por uma nova tecnologia – se fosse uma garota até poderíamos entender.
Lembro-me quando iniciei a minha carreira. A moda era a disputa entre .Net e Java. A premissa era a seguinte Java é lento e .Net é da Microsoft. Uau! Plac… plac.. plac… Tudo bem era algo “somente” semelhante a isso. Eu espero! Cada um defendendo seu ganha-pão, sua zona de conforto e sua comodidade. O mais incrível é ver profissionais com um ano de experiência com muito mais certezas do que dúvidas. Não teria que ser ao contrário? É, são realmente fora de séries. E há pouco tempo atrás não tivemos um grande debate mundial sobre a tão famigerada escalabilidade do Rails no Twiter? E os divinos benchmarks de coisa nenhuma, que tal? Como diria o ilustre Galvão Bueno: “É amigo! É copa do mundo”.
Eu ainda vejo muitas pessoas que começaram comigo, ou até mesmo muito antes disso, batendo nessa mesma tecla. Apesar de existir um grande movimento na comunidade, uma imensidão de bons livros, ótimos profissionais nas nossas equipes, todos com informações sobre qualidade de sistema;o valor de um código expressível por si só; a importância e a obrigação de testes automatizados; as metodologias que agilizam nossos processos; refatoração constante; linguagens de domínio. E tantas outras vertentes (umas novas outras bem antigas – mas não ultrapassadas) que realmente nos dão a coordenada para termos um sistema que atenda a necessidade nossa e de nossas clientes. Mas muitos ainda teimam em ir contra essa maré. E ficam atrás de respostas para perguntas como essa: quem é o Lento e qual é o Foguete?
Há uns dias que presenciei uma cena um tanto quanto massacrante. Após alguns gerentes lerem um pequeno esboço sobre a utilização de Scrum e XP (vale lembrar que antes da informação chegar na mesa deles, não sabiam nem da existência do mesmo), chegaram a conclusão em alto e bom som que era isso que precisavam que todos os inúmeros problemas organizacionais estavam resolvidos. E que tudo seria muito simples. O que for diferente daquilo não presta. Ora bolas, mas então porque estão nessa vida a cerca de quinze anos? Levou-se um minuto pra descobrirem que aquilo tudo – ou no caso aquilo nada – é como caminhar nas trincheiras amigas.
Acredito que o grande diferencial dentro de qualquer coisa, são as pessoas. E no desenvolvimento de software tenho ainda mais fé nessa crença. E como é difícil montar uma equipe comprometida. Se cada um fosse comprometido consigo mesmo já seria um ganho. E as empresas porque não investem na motivação de seu corpo técnico? E quando nos deparamos com aqueles empresas que insistem em uma coisa: produtividade, sem ao menos saber como se conseguir isso dentro de uma equipe científica. Bom nessa caso vamos de Taylor, Ford… Sistemas também são para desenvolvedores e não só para nossos clientes. Precisamos buscar o entendimento da ciência como um todo; a paixão vem logo em seguida. E por favor, não paremos no tempo com duelos infames como os citados anteriormente. Nós podemos fazer a diferença. Ou você quer ser um dos personagens de um duelo desses? Ou pior, sendo para sempre o Lento da estória.